Nova molécula pode ajudar a tratar cancro do pulmão

Nova molécula pode ajudar a tratar cancro do pulmão


Um grupo de investigadores da Boston University School of Medicine (BUSM), nos EUA, acaba de anunciar a descoberta de uma molécula que pode conduzir ao diagnóstico não-invasivo do cancro do pulmão e a um tratamento mais eficaz daquela doença.

Com recurso ao sequenciamento de ARN (ácido ribonucleico), a equipa norte-americana, coordenada por Catalina Perdomo, analisou as células epiteliais pulmonares e identificou uma molécula com funções de regulação que é menos abundante em indivíduos com a doença e que tem capacidade de inibir o crescimento das células cancerígenas. 

O achado, que foi dado a conhecer num estudo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que esta molécula poderá ajudar a diagnosticar o cancro do pulmão numa fase precoce e, potencialmente, se se encontrar nos níveis considerados "saudáveis", ajudar a combater a patologia.

Os especialistas utilizaram uma tecnologia de sequenciamento de ARN de nova geração, identificando uma molécula microARN (um novo tipo de moléculas que têm um papel importante de regulação da atividade dos outros genes) denominada miR-4423 e que desempenha uma função fundamental no desenvolvimento das células epiteliais dos pulmões.

Ao analisar os resultados, observaram que, nos fumadores, os níveis desta molécula se encontravam diminuídos. "As conclusões mostram que medir os níveis de microARN's como a miR-4423 nestas células pode ajudar à deteção do cancro do pulmão através de um procedimento relativamente não-invasivo", congratula-se Spira, professor de medicina e um dos autores do estudo, em comunicado.

Com recurso a modelos experimentais "in vitro" e "in vivo", a equipa de investigação conseguiu demonstrar que a miR-4423 é capaz de promover o desenvolvimento de células epiteliais pulmonares normais e, ao mesmo tempo, suprimir o crescimento das células cancerígenas.

Além disso, o estudo permitiu constatar que a miR-4423 parece estar apenas presente em níveis elevados nos pulmões, o que indica que todo este processo poderá ser algo muito específico destes órgãos.

"A nossa descoberta abre caminho à possibilidade de compreender se fazer regressar os níveis de miR-4423 ao normal pode parar a evolução do cancro do pulmão e, potencialmente, constituir-se como uma forma de tratar a doença", conclui Perdomo, principal autora do estudo.

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